Som na Caixa 16
janeiro 22, 2012
Um pouco de bizarro agora, pra programação não ficar normal demais. Epilético, estranha música do estranho Doiseu Mimdoisema.
Som na Caixa 15
janeiro 22, 2012
Vamos voltar à programação normal. Mas, pra passagem ser suave, mais uma lembrança do meu pai. Quando eu fiz 16 anos, no longínquo ano de 1987, ele resolveu gravar uma fita cassete pra me dar de presente, com um monte de coisas faladas e tocadas que ele achava que eu devia ouvir. Pra temperar, resolveu incluir um bloco do Fahrenheit, programa do Arthur Duarte na antiga Rádio Liberdade, que eu tinha gravado no dia anterior, meu último dia com 15 anos de idade. Até hoje acho incrível que ele tenha percebido o que mais gostei no programa e tenha reproduzido o tal bloco na fita de aniversário. E era um bloco com músicas do Harry, banda exótica de Santos, mas que parecia ser do Norte da Europa, coisa comum nos anos 80.
Aquela segunda-feira, 4 de maio de 1987, foi um divisor de águas na minha vida, é um dos dias de que mais me lembro até hoje. E o registro ficou. Um dia ainda coloco um trecho da fita aqui, quando eu resolver digitalizá-la. Aliás, já resolvi, mas não fiz, estou enrolando com ela e com outras dezenas, talvez centenas, de fitas que tenho guardadas em caixas de sapato. Então, Harry, Adeptos.
Som na Caixa 14
janeiro 20, 2012
Meu pai era tão duro de chorar quanto eu sempre fui. Um dos poucos dias em que o vi chorando foi no 19 de janeiro de 1982, por causa da morte da Elis Regina. Eu me peguei nessa mesma situação patética em 11 de outubro de 1996, pelo Renato Russo. E o curioso é que meu pai me deu a notícia ruim naquele dia, logo que acordei. Mas nem chorei na frente dele, fui me esconder no quarto. Também curioso é que sempre tive uma relação de amor e ódio, mais ódio, com a Elis. Em algum momento dos anos 1960, ela chegou a liderar uma passeata contra a guitarra elétrica, coisa inimaginável hoje. Elis começou gravando de tudo, inclusive rock, pelas mãos de Carlos Imperial, depois renegou o rock, depois se rendeu. Então, “Como Nossos Pais” é uma homenagem/vingança que estou protelando desde ontem, mais homenagem que vingança, principalmente ao meu pai, também à Elis pela data triste, também ao Belchior, um dos desprezados que nem costuma figurar na lista habitual de malditos.
A música é do meio dos 1970′s, punk no tema e na ocasião, nem tanto na forma: “Hoje eu sei que quem me deu a ideia de uma nova consciência e juventude tá em casa, guardado por Deus, contando o vil metal”. Aposto que o Belchior, autor, pensou em Stones, Zeppelin e nos então ex-Beatles.
Som na Caixa 13
janeiro 8, 2012
Já que é pra ser clichê, vamos por partes, como diria o esquartejador. A Thaisa, irmã do Paulão – com quem bebi um milhão de cervejas hoje e um gole de Jameson – disse pra Mariana – que estava presente na bebedeira, e bebeu também – que existe uma lógica nas duplas sertanejas. Se o nome é Milionário e José Rico, é porque o Milionário está à esquerda do palco (de quem vê de frente), e o José Rico à direita. O mesmo vale para Victor e Léo, Chitãozinho e Xororó, Sandy e Júnior, etc e etc. Não sei se faz sentido, mas fiquei vasculhando vídeos das duplas pra ver se fazia. Vi exceções, e lembrei que já gostei demais, tipo dez anos atrás, de uma belíssima canção de SandyJr, que pra mim é uma pessoa só, nascida de outra pessoa só, Chitãozimxororó, qual a reprodução de uma ameba. Se bem que Sandyjr deveria ser filho/filha de Sandy, igual Jameson é filho de James. Mas o que importa aqui é a música, belíssima, digo de novo, apesar de versos óbvios, tipo “o que é imortal não morre no final”. É claro, pô, mas não tira o brilho da canção.
Som na Caixa 12
janeiro 6, 2012
Quando eu tinha 20 e poucos anos, que nem o pai do Fiuk, eu odiava festinhas anos 60, uma mistureba danada, que misturava anos 50 com 60 e até 70. Hoje, acho até bonito, o uso que as pessoas fazem da cultura pop é o uso que as pessoas fazem da cultura pop, e ponto final. Final, nada. Um dos alvos do meu ódio era Rock Around the Clock, principalmente os medleys (alguém ainda fala medley?) que a incluíam.
Agora, escrevendo sobre o assunto, passei a amar a música, a letra, a performance. Passei a imaginar o que era ouvir Rock Around the Clock em 1955, ano em que ela estourou (mas foi lançada em 1954). Devia ser algo maior que ouvir Sex Pistols em 1977 ou Nirvana em 1991. Haverá algo assim hoje ou o mundo vai mesmo acabar? Sei lá, enquanto não acaba, tentem ouvir pensando nisso. É uma experiência quase mágica. Ouvindo assim, comecei a achar sentido na guitarra e no sax que preenchem os espaços vazios. E na letra, que atualmente parece bobinha, mas na época devia soar dionisíaca.
No vídeo abaixo, uma versão meio tosca, mais roquenrou, da música pra lá de tocada. Tem até umas crianças dançando. E aqui uma entrevista sensacional na primeira passagem dele pelo Brasil, ainda no auge, em 1958 (hoje em dia, acho graça de mim mesmo e do resto dos fãs de rock do país da minha geração, que achávamos que o Brasil só tinha entrado na rota dos shows internacionais em 1985). O mais incrível é que ele tocou também em Belo Horizonte, até onde eu sei no auditório da Secretaria de Saúde, onde hoje é o Minascentro. Mas isto carece de apuração.
Ah, e eu continuo detestando os medleys, quaisquer que sejam.
Som na Caixa 11
janeiro 3, 2012
Já que eu falei dos Smiths no post anterior, uma música normalmente desprezada deles, mas sensacional, Is It Really So Strange? Tão desprezada e sensacional quanto Easy Question, do Elvis. Aqui, numa daquelas versões de fãs que se acham cineastas – e das quais eu não costumo gostar –, mas que faz sentido a partir dos 50 segundos. O Stan Laurel, também inglês, até se parece um pouco com o Morrissey. Adoro O Gordo e O Magro, mas eles são a coisa que me faz me sentir mais velho. Nasci depois da série ter acabado, depois da morte dos dois, mas ainda peguei a TV num tempo em que fazia sentido passar aquilo em P& B. Hoje, soaria patético. Ou vintage, sei lá.
Som na Caixa 10
janeiro 3, 2012
Yeah, começando 2012 pra bater todos os recordes. Já está ficando chato falar nessas coisas, então vamos direto ao assunto. Antes que o mundo acabe de novo (ia acabar em 2000, lembram?), um “crássico” desprezado, Easy Question, do Elvis. Por que músicas assim não tocam no rádio todo dia? Tenho sofrido tentando escrever umas palavras sobre o rock brasileiro da época, e às vezes o que me conforta e anima é ouvir Elvis, ou Bill Haley, de quem carreguei umas duas coletâneas outro dia (eu não tinha nada dele, pasmem!), ainda vou tocar isso aqui. Ouvindo coisas como Easy Question, também entendo a enorme e nem tão aparente influência do Elvis sobre os Smiths. É só trocar a mulherada do clipe por uma homaiada, e a cara de safado do Elvis por uma cara de sofredor do Morrissey. Bem, tá na hora de tocar.
Som na Caixa 9
dezembro 30, 2011
Só pra esnobar e, talvez, fechar 2011 (bati o recorde de 2008!), um pouco de roquenrou de verdade. Shadowy what? Nome comprido e complicado, mas banda ótima. Bem diferente dos casos do post anterior. Não conhecia, ouvi por acaso, carreguei o disco inteiro e amei. Estou até pensando em carregar a discografia completa em 320 kbps! E antes que alguém arrisque o rótulo óbvio para o som deles, saca só o aviso aqui.
