Os brutos também amam?
janeiro 28, 2010
Sou mesmo um sentimental, embora procure esconder isso com capas de niilismo e arrogância. Sinto que a veia palpita, quando vejo um brutamontes se entregar por amor. Mesmo que seja a mentira mais tosca, não importa, o efeito já se produziu antes da análise. É como se o Poder mais real, a força bruta, se rendesse ao mais diáfano e humano dos sentimentos. Mas é claro, não me iludo além do imediato.
Vinha pensando esse tipo de coisa desde que ouvi Préliminaires, o último disco de Iggy Pop. Oscilo no julgamento entre o sentimental, que gostou das baladas, e o arrogante, que acha o disco comercial demais para um cara como Iggy. Destaco para os amigos a bela versão de Les feuilles mortes, clássico de Yves Montand em tempos idos.
Mas entreguei os pontos mesmo quando encontrei recentemente uma outra versão, a de Wander Wildner para Without You, clássico dos Badfingers. A balada vem sendo diluída em interpretações melosas e gritadas, desde Harry Nilsson até Mariah Carey, passando por diversos aspirantes ao mainstream (American Idol, Fame), que soltam o gogó com vontade (e sem verdade) no refrão.
A versão do punk (ex-punk?) gaúcho tem alguma coisa de bruta, de imperfeita, que faz a emoção parecer real. Ainda não descobri. Talvez quando as lágrimas cessarem.
Wander Wildner – Without You
Eu e Keith Richards estamos dando um tempo na cerveja
janeiro 25, 2010
No início dos anos 70, com a receita federal britânica no pé, os Stones se mudam para a França. Com a mulher e o filho, Keith Richards aluga uma vila perto de Nice e, em seu porão, a banda resolve gravar o próximo disco. A história desse verão e da conturbada gravação está em “Uma Temporada no Inferno com o Rolling Stones”, de Robert Greenfield. Richards é o personagem principal. Vai tudo bem enquanto os dias são regados a champagne, haxixe, cocaína, ácido e anfetaminas, mas a coisa degringola quando ele volta a se picar. O suprimento de heroína é estável no mediterrâneo.
Mesmo familiarizado com o mito criado em torno do guitarrista fiquei assim, estupefato, com as histórias. É muuuito álcool, muuuuita droga. O tempo inteiro. Meses a fio. Ele desaparece dos ensaios, neguinho come a mulher dele enquanto ele está apagado, a casa enche de celebridades e traficantes. A equipe de som fica de prontidão 24 horas para garantir a gravação quando ele consegue ficar de pé. De tudo isso saiu Exile on Main St., um álbum duplo com uma pegada blues bem bacana. Gosto muito de sweet virgina, let it loose e shine a light.
Umas fotos:
Um trecho:
“Embora Wyman tenha algumas manias estranhas, é uma pessoa perfeitamente confiável, apresentado-se toda noite para gravar em Nellcote e tendo de passar horas esperando enquanto Mick e Keith discutem sem chegar a nenhuma conclusão. Compreensivelmente cansado de tudo aquilo, em setembro Wyman aluga um iate e parte com sua companheira para aproveitar cinco dias de férias.
Depois que ele vai embora, Keith volta ao porão e em uma tarde faz Happy, que se tornará a décima faixa. “Estávamos apenas passando o som”, relembra Keith, “verificando se tudo estava em ordem para a sessão, e a faixa simplesmente surgiu”.
Mais adiante, ‘Happy’ seria reconhecida como uma música característica de Keith. A riqueza, a fama e a posição social que Mick parece almejar tanto não servem para keith. Ele só quer continuar fazendo rock até que tenham que abrir seus dedos frios e mortos para poderem lhe tirar a guitarra. A música também demonstra, com simplicidade, o poder de um artista para transcender as circunstâncias da própria vida. Pois mesmo enquanto está se tornando um escravo da heroína, Keith ainda consegue, sabe-se lá como, projetar o sentimento de ser verdadeiramente livre, um ídolo popular que não precisa de nada além de uma boa mulher para mantê-lo feliz.”
Umas músicas:
Let it loose
Shine a light
Sweet Virginia
Happy
Enfim, tudo isso é para dizer que eu e o Keith Richards estamos dando um tempo da cerveja. E que, como este blog bem adivinhou, os Stones sempre foram importantes na minha vida e na nossa.
O gênio de Cachoeiro
janeiro 25, 2010
Não, não é o Roberto Carlos, que eu amo de paixão, apesar dos comentários jocosos do post abaixo. Nem é o Rubem Braga, que eu conheço menos do que deveria. É o Sérgio Sampaio. Basta alguém me lembrar que ele existe e passo a noite ouvindo o cara, e às vezes nem precisa disso. Quem me lembrou dessa vez foi o Lourival, simpático taxista que me trouxe da casa do Paulão até minha casa e ficou interessado no monte de discos de vinil que eu carregava no colo, fruto de uma doação que o Paulo recebeu da sogra e decidiu distribuir generosamente para alguns amigos.
Os discos fizeram Lourival contar que foi funcionário da Rádio Cachoeiro, onde Sérgio Sampaio trabalhou, jogou bola (sim, até nos corredores da emissora) e perdeu hora de chegar ao trampo por já beber demais. Comecei perguntando sobre Roberto Carlos, que o Lourival conheceu a distância, mas não resisti e mencionei SS. Lourival desandou a falar, quase não me deixou descer do táxi, não sabia que o cara tinha morrido e me colocou na posição desconfortável de anunciar a má notícia, mesmo que com 15 anos de atraso.
Não vou repetir como descobri e redescobri Sérgio Sampaio. Está tudo aqui, no Farolblog, que anda hibernando. Deixo, abaixo, um pequeno e tosco exemplo da beleza da obra dele, mesmo, neste caso, resultado de uma gravação caseira que o Zeca Baleiro recuperou para lançar um disco póstumo do SS, em 2006. Baleiro, de quem nunca gostei muito, ganhou um monte de pontos comigo depois disso.
Um dia ainda vou a Cachoeiro do Itapemirim, sentar numa praça, olhar em volta e tentar descobrir como uma cidade consegue produzir, no mesmo século, Roberto Carlos, Rubem Braga e, sobretudo, Sérgio Sampaio.
Sérgio Sampaio – Maiúsculo
Play It – Rotinas diferentes
janeiro 24, 2010
Um pouco de música, maestro. E, pra começar, duas canções com o mesmo título, do maior cantor pop brasileiro e da maior banda punk do país. A semelhança morre no título. São dois pontos de vista diferentes sobre o mesmo tema. Nas amostras que escolhi a esmo no Você Tubo (como diria o Flávio Gomes), dois exemplos também de como todo mundo vira editor na internet.
Em “Rotina”, do álbum “Roberto Carlos” (claro, que título teria?), de 1973, o próprio, em plena fase motel, imagina um dia perfeito demais para se repetir ao infinito. O cara não faz outra coisa no trabalho que pensar na amada que ficou em casa. E a noite de amor começa na hora em que ele chega pro jantar e só termina com o sol nascendo. Pra ilustrar a canção e transformá-la em videoclipe, alguma mocinha sonhadora escolheu imagens tão óbvias quanto bizarras, com direito a fotos de mulheres nuas e uma aparição inusitada de Amy Winehouse.
Em “Rotina”, do EP “Pânico em SP”, de 1986, os Inocentes descrevem uma rotina bem mais… rotineira (“Até quando ele vai aguentar?”). É curioso como a “Rotina” dos Inocentes, banda de rock, está mais perto de “Cotidiano”, do mpbista clássico Chico Buarque, do que da “Rotina” de Roberto Carlos, um dos grandes nomes da primeira fase do rock brasileiro. O vídeo que escolhi… bem, é um trabalho acadêmico, parece. Nada a ver com mocinhas sonhadoras. Mas com a mesma relação direta entre imagem e letra. Quem preferir ver os Inocentes em ação, clique aqui.
Em tempo, estou caçoando das edições dos vídeos, sim. Mas antes que alguém pergunte que imagens eu usaria pra essas duas letras, eu respondo: sei lá…
A cirurgia surreal de Lady Godiva
janeiro 17, 2010
Velvet Underground – Lady Godiva’s Operation
Como o Rudolf sugeriu, cá está “Lady Godiva’s Operation”, minha canção favorita do Velvet Underground. É a gravação original, ilustrada por umas fotinhas da banda, no You Tube. Sem refrão, com guitarra saturada, baixo e bateria hipnóticos e vocais monótonos quase o tempo todo, “Lady Godiva’s Operation” é a quarta faixa do lado A do fantástico álbum “White Light/White Heat”, o segundo e último com a participação de John Cale. A letra e a melodia são de Lou Reed.
Não sei por que motivo, a canção não costuma ser destacada entre as melhores do Velvet. Na biografia “Up-tight: The Velvet Underground Story”, de Victor Bockris e Gerard Malanga (Omnibus Press, 1983), ela é descrita de forma sucinta: “A Burroughsian rendition of the Lady Godiva legend”. O Burroughsian só pode se referir ao escritor William Burroughs, autor de textos surreais e escatológicos e, certamente, uma das influências de Lou Reed.
Faz sentido. Na primeira parte da letra, cantada por John Cale, Reed descreve a lendária Lady Godiva, nobre que cavalgou nua pelas ruas de Coventry, Inglaterra. A segunda parte, cantada por Cale e Reed, imagina Lady Godiva sendo submetida a uma cirurgia tosca, em que até a anestesia falha. Não sei o que Lou Reed quis dizer com a letra. Provavelmente nada. Talvez, ao estilo de Burroughs, ele tenha colocado no papel imagens de um fluxo mental induzido pelo uso de drogas, sempre um tema do Velvet (a faixa-título do álbum, por exemplo, é sobre anfetamina).
Só achei três registros de covers de “Lady Godiva’s Operation”, o que dá bem uma ideia da “desimportância” com que a música é tratada, se comparada a outras do Velvet. Duas versões estão aí abaixo: o Chapterhouse, banda inglesa dos anos 80/90, foi fiel ao original; os irlandeses do Fatima Mansions, da mesma época, fizeram um cover curioso, que vale mais pela ousadia do que pelo resultado. Outro que se aventurou a interpretar a canção foi o grupo experimental inglês Super Numeri, que parece estar ainda em atividade. Mas essa versão eu não encontrei.
As gravações de Chapterhouse e Fatima Mansions estão na caixa “Unpiecing The Jigsaw (A Tribute To TheVelvet Underground)”, ao lado de covers do Velvet tocados por gente do nível de Echo & The Bunnymen e Nirvana. Foi lançada no fim de 2009 e parece ser bem bacana.
Chapterhouse – Lady Godiva’s Operation
Fatima Mansions – Lady Godiva’s Operation
MMC = VU, a resposta
janeiro 15, 2010
Ao contrário do que o Rudolf previu naquela noite fumacenta e barulhenta n’Obar (estou ficando velho, nunca repararia na fumaça e no barulho se tivesse 20 anos), não vou criar caso com a tese do post MMC = VU. Sim, somos todos filhos do Velvet Underground, até sem saber. Eu já gostava de um monte de bandas herdeiras de Lou Reed e cia. quando o Velvet aportou de vez em minha vida, acho que pelas mãos do Guilherme. Mas, como sempre, tenho algumas considerações a fazer (parece até que sou um literato português do século XVIII).
1-Também ao contrário do que o Rudolf previu, o fato de eu ser fã dos Smiths não invalida a tese. The Smiths, numa audição distraída, não têm muito a ver com Velvet e jamais li Morrissey citar Lou Reed como sua influência. Mas The Smiths não existiriam se David Bowie não existisse. E Bowie ama Velvet (no memorável show dele no Parque Antarctica, em 1990 – lembra, Guilherme? – Bowie tocou “White Light, White Heat”). The Smiths não existiriam se New York Dolls não tivessem existido (Morrissey já foi presidente de um fã-clube da banda). E New York Dolls, se não amavam Velvet, seguiam a cartilha básica.
2-Este é o “segredo”, sem mistério algum: a cartilha básica. Velvet Underground inventou a fórmula do rock branco perfeito: bateria bate-estaca (quase sem pratos, viu Rudolf?), baixo grave e guitarra distorcida, com vocal simples, quase falado, além das letras maravilhosas de Lou Reed. Se foi por opção ou incompetência ao tentar reproduzir o suíngue do rhythm and blues, não importa. Deu certo e todo mundo copiou. Sobre a frase do Brian Eno, já ouvi alguém dizer (terá sido ele?) que o Velvet só vendeu 1 mil cópias do famoso disco da banana, mas cada um dos compradores montou uma banda.
3-Fórmulas não costumam dar certo por muito tempo, a menos que a fórmula seja boa e que você seja o primeiro a colocá-la na roda. É o caso do Velvet. Que, no entanto, durou pouco. Só conheço uma situação em que a repetição ad infinitum de uma fórmula foi plenamente bem-sucedida: Ramones, que tocaram a mesma música a vida inteira… só que era uma música ótima (e Ramones também são filhos do Velvet).
4-Enfim, Velvet foi punk antes do punk surgir; foi pós-punk ou dark antes do Ian Curtis começar a usar calças; e, outro “segredo”, nunca deixou de ser pop, apesar de ter feito coisas como “Sister Ray” e seus quase 20 minutos de distorção e putaria.
5-Mas não custa lembrar que esse MMC vale para nós e mais um bando de gente, mas não para todos. Elvis, Dylan, Hendrix, Beatles e Stones criaram um mundo de bandas também, boas e ruins. Algumas ouviram Velvet, outras não. Só pra ficar no exemplo mais pedante, o rock progressivo não tem nada a ver com Velvet, por isso gosto de classificar a banda como rock regressivo. E, claro, regressivo é bem melhor que progressivo na minha classificação.
6-E será mesmo MMC? Não seria MDC, o tal máximo denominador comum (que é até título de música do Raul Seixas)? Bom, como sou jornalista e o Rudolf, engenheiro, é provável que ele esteja certo.
7-Só pra discordar um pouco: “Pale Blue Eyes” realmente é linda, mas está longe de ser uma das minhas favoritas do Velvet. Assim, de supetão, sem pensar muito, citaria como favoritas “She’s My Best Friend”, “What Goes On” e “Foggy Notion” (protótipos do rock branco perfeito que mencionei); “I’ll Be Your Mirror” e “Femme Fatale” (beleza pop em estado puro, com o vocal estonteante da Nico); e “Lady Godiva’s Operation” (acho que a minha favorita mesmo).
Coltec
janeiro 8, 2010
Não pude resistir.
Depois de ter citado o Coltec no post abaixo, fiz uma busca pelo nome do colégio no google (sim, Gutim, ainda tentando achar a pedra filosofal de como incluir o TPM na página inicial do google), e encontrei esse post na desciclopédia:
Colégio Técnico da UFMG
Último campo de concentração de que se tem notícia, o COLTEC consiste em um centro de atividades criminosas de gêneros diversos – muito embora algumas vezes receba, inexplicavelmente, a alcunha de escola ou colégio. O COLTEC encontra-se no interior da Universidade Federal de Minas Gerais, porém não usufrui de nenhum dos privilégios pertencentes aos órgãos da universidade – dentre eles, a obtenção de verba. Caso você interpele algum dos universitários sobre o Colégio Técnico, é provável que ele simplesmente ignore sua pergunta, descrendo que exista algo parecido na Federal, ou corra desesperadamente, segurando seus bens e suplicando clemência. O segundo caso torna-se mais comum a cada ano em razão do crescimento exponecial de estudantes oriundos do CP (Comando Primeiro), grupo de narcotraficantes associado às FARC e ao Movimento dos Curdos Livres. Recentemente, em um gesto de repúdio ao fortalecimento do crime e do tráfico nas dependências do COLTEC, além do notório emburrecimento geral e queda na qualidade do ensino, alunos endinheirados denominados Concursados clamaram pelo veto da entrada dos CPs no COLTEC.´Curiosamente, os concursados não se distinguem realmente dos CPs, pois, em espírito, causam badernas e agitações de mesmo porte, com o agravo de, na maior parte das vezes, valerem-se dos CPs como Bode Expiatório para suas más ações. Antropólogos especulam se a ascendência dos Concursados advém de Judas Iscariotes, devido ao senso de perversidade e deslealdade destes, que desejam foder com a vida daquele que já está na merda, como o personagem bíblico fez com Jesus. É de praxe que os concursados se canibalizem na disputa de fêmeas – cuja beleza é comparável a de um Orgro, mas ainda assim superior a de uma pobre CP – ou para conquistar vagas nos cursos técnicos.
O Colégio Técnico foi fundado durante a Ditadura Militar, por iniciativa do Exército, que, percebendo suas prisões abarrotadas e pressionado pela mídia, pretendia construir um centro de detenção de subversivos, mas ocultá-lo sob a fachada de uma escola, para que as práticas de tortura não fossem interrompidas pelo despretígio que vinham recebendo em função das campanhas dos movimentos de esquerda. Inspirados na ideologia nazista, arquitetaram o local com cômodos amplos e de iluminação precária, com latrinas expostas e uma parca área para o banho de sol – embora os estudantes só a possam visitar em dias de chuva. Os chuveiros das Câmaras de Gás foram removidos há poucos anos, quando a incursão de uma ONG dos Direitos Humanos conseguiu assegurar que os alunos lograssem, finalmente, condições de vida subumanas.
Resignados com sua vida de privações e martírios, os estudantes do COLTEC jocosamente apelidam seu lar por vários nomes, dentre eles: Bastilha, DOPS, Castelinho da Desgraça, Auschwitz e Prisão de Guantanamo.
O COLTEC oferece quatro cursos a seus detentos: Eletrônica, Patologia Clínica, Instrumentação Industral e Química. Segue abaixo a lista de cidadãos ilustres, cuja sólida formação se deu graças ao colégio:
- Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Instrumentação); – Doutor Drúzio Varíola ( Patologia Clínica); – Doutor HollyWoody (Patologia Clínica); – Mario, o encanador (Instrumentação); – Apagão (Eletrônica); – Racionamento (Eletrônica).
Minha única observação é que o post deveria estar, de fato, na wikipedia…
TocaRollingStones!
janeiro 8, 2010
Estávamos eu e o Ricardo conversando ontem, em mais uma fenomenal apresentação do DJ Farol, sobre o fato de que os Stones marcaram uma boa fase de nossas vidas, mas ainda não marcaram presença aqui no blog.
Então, vamos lá.
Lançada em 1989, Mixed Emotions é mais uma das músicas da banda cujo significado não é claro. Acredita-se que seja uma resposta a mais uma das infindáveis discussões entre Jagger e Richards, em especial a uma música solo de Keith intitulada You Don’t Move Me, mas Mick desconversa, dizendo que é sobre uma mulher e não tem nada que ver com Richards.
Já Out of Time, que também está no set list do DJ Farol, é um clássico das antigas. Foi lançada em 1966, no álbum Aftermath (cuja capa está aí embaixo), e essa é, na minha opinião, a melhor versão da música, entre todas que os próprios Stones fizeram. Talvez por causa desse instrumento que parece um xilofone…
(Por falar em xilofone, o instrumento lembra ou não lembra essas bandas de colégio militar que desfilam nos sete de setembro da vida? E por falar em colégio militar, lembram-se dos tomates que víamos da janela do Coltec?).
Os Ramones incluíram um ótimo cover dela no álbum Acid Eaters, de 1993.
Pale Blue Eyes
janeiro 5, 2010
Para mim, Pale Blue Eyes está entre as melhores do Velvet Underground e já nem sei quantas vezes foi reproduzida pela minha dupla iPod/ iTunes.
A música é de autoria de Lou Reed e foi lançada no album “Velvet Underground“, de 1969, cuja capa é essa aí embaixo. A wikipedia diz que a música foi inspirada, assim como tantas outras de Lou Reed, por sua namorada de faculdade e musa, Shelly Albin, que, de fato, tinha olhos azuis.
Aqui, em versão ao vivo, com um contrabaixo que sobressai.
Aqui, na voz inconfundível de Patti Smith, ao vivo. Na introdução da música, ela diz que Lou escreveu esta canção para Hank Williams, que morreu de uma overdose de pílulas na parte traseira de uma limusine a caminho de um show. Dizem que Patti estava muito doida para inventar isso.
E aqui, um bom cover nacional, com direito ao Marseleza na platéia.
MMC = VU
dezembro 28, 2009
Vou cometer uma heresia.
Antes de mais nada, lembremos que esse é um blog sobre música (ainda que, em alguns momentos, desviemos para alguns assuntos colaterais…), escrito por quatro amigos que gostam de música e que têm suas preferências musicais. Ainda bem que não há consenso nessas preferências e nem ouvimos músicas passivamente. Até nas festas das crianças ficamos ligados e discutindo o que está tocando.
Pois bem. A heresia que vou cometer é tentar achar o mmc. Ou seja, o mínimo múltiplo comum, a fonte – ou uma delas - da qual todos bebemos.
E vou arriscar dizer que essa fonte é o Velvet Underground.
Ok, vocês vão contra-argumentar. Vão lembrar de “n” outras bandas e artistas que tocam nossos coraçoes e mentes. Mas pensem bem nas músicas das inúmeras festas em que estivemos juntos, dos toca-fitas de nossos carros, nas bandas em que tocamos. Há ou não há uma poesia e sonoridade comum formada pelas letras e músicas do Velvet?
Essa é a capa do primeiro disco da banda, de 1967. O jeito com que o disco tratava de sexo e drogas (somente lembrando, nele estão “I’m waiting for the man” e “Heroin”) fez com que fosse banido das rádios dos EUA. Os críticos odiaram o álbum e a revista Rolling Stone sequer o resenhou. E quase ninguém o comprou na época do lançamento.
Mas, como Brian Eno comentou certa vez, quem o comprou acabou montando uma banda. E nesse grupo estão Joy Division, Talking Heads e Jesus and Mary Chain.




