Noturnas 08-10-09

Outubro 8, 2009

1. Quem desdenha quer comprar. (Oh! Como eu sou original!)

2. Eu, por exemplo, desdenho dos chavões mas às vezes adoro usá-los. E abusar deles. Quase um crime pra quem vive de escrever.

3. Se bem que tem pouca coisa mais repleta de chavões que o jornalismo. Se eu tivesse 20 anos, ia ser químico e fazer drogas ou bombas (ou ambas).

4. Todo esse nariz de cera (outro crime pra quem abraçou a profissão de jornalista – olha aí mais um chavão) é pra dizer que torci o nariz (outro…) na primeira audição de Years of Refusal, disco deste ano do Morrissey, que finalmente ouvi inteiro hoje, numa viagem de volta de Congonhas, a trabalho.

5. Congonhas nada tem a ver com tudo isto, embora os profetas do Aleijadinho, forçando a barra, sejam tipo um chavão. E deste eu não padeço, infelizmente. Fui a Congonhas pela primeira vez e continuo sem conhecer os profetas. Não deu tempo, nem teve jeito. Putz!

6. Como se vê, só sofro dos maus chavões (ou seriam chavãos? ou chavães? chavães é mais divertido).

7. Será um chavão um Chaves grande?

8. Fio da meada (de novo…), onde andarás?

9. Cá. É o Morrissey o fio da meada (…). Bom, eu fui o maior fã dos Smiths na América do Sul entre o fim dos 80’s e o início dos 90’s. Adorei o primeiro disco solo do Morrissey, enquanto ainda enxugava as lágrimas (…) pelo fim da banda, mas depois impliquei crescentemente com a carreira do rapaz, a ponto de não conhecer alguns álbuns que ele gravou.

10. E hoje eu tentava gostar do tal Years of Refusal e não conseguia, na van que me trazia de Congonhas (há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe nossa… não, não vou fazer esse trocadilho infame).

11. Não haveria trocadilhos não fossem os chavões (ou seriam aquelas opções lá de cima?).

12. Aí, numa “van” filosofia, decidi que Morrissey estava acabado. E o disco novo tem até uma música que se encaixa perfeitamente na minha constatação de então: You Were Good in Your Time. E foi nessa linda canção, exatamente, que comecei a mudar de ideia.

13. Agora, poucas horas depois, estou amando o disco (quem desdenha…). E já tenho até minha faixa favorita (MP3 tem faixa?): One Day Goodbye Will Be Farewell.

14. Johnny Marr vai fazer falta sempre ao Morrissey, mas quando letra e música se encaixam, nem dá tanta saudade dos Smiths. É o caso da canção citada. Ouve aí e me diz se não estou certo (outro chavão, e acho que todos vão dizer que estou errado).

Morrissey – One Day Goodbye Will Be Farewell

15. Não importa. O cara consegue escrever “And when I die, I want to go to hell” (não vou dizer que é o melhor verso de todos os tempos da última semana porque é tipo um chavão e eu não gosto dos Titãs).

16. Se eu ainda tivesse 20 anos, também quereria ir pra lá com ele. Agora, me daria por satisfeito (…)  em ouvi-lo da minha nuvenzinha no céu. Sinal dos tempos (só pra fechar…).

7 Responses to “Noturnas 08-10-09”

  1. Guilherme Says:

    Noturnas rules!!

  2. Rudi Says:

    Que bom que as noturnas e o bom e velho Ricardinho voltaram!! Chavães!! Sensacional!!

    Quanto ao Morrissey… bem, você sabe.

  3. Rudi Says:

    Pensando melhor, acho que você deveria fazer um post de chavães e trocadilhos infames.

  4. Guilherme Says:

    Por falar em chavães e trocadilhos infames, que tal esse, ouvido no rádio a caminho do trabalho:
    Restaurante Badejo, dos mares o melhor!
    Tem que ter muita coragem para cobrar por isso.


  5. “Dos mares o melhor” é tão ruim que é magnífico. Lembra o João Basílio dos velhos tempos. Eu, ele e Torino chegamos à ousadia de dar uma oficina de trocadilhos no Enecom, o Encontro Nacional de Estudantes de Comunicação, em Belo Horizonte, em 1991 ou 1992, acho. Lá, o JB ensinava os alunos a categorizar os trocadilhos (Torino e eu, numa ressaca absurda, éramos apenas assistentes). Tinha até o trocadilho erudito: “José foi carteiro em Montes Claros durante 30 anos, até o dia em que se cansou de sê-lo (selo)”. Sensacional.
    Metade das gargalhadas incontroláveis da minha vida foram na frente do JB. E agora ele mora tão perto de mim e eu nem encontro com o sujeito.

  6. Rudi Says:

    Bem, uma oficina de trocadilhos dá uma boa idéia da seriedade dos Enecons… Por falar neles, ainda existem?

  7. Ricardo Bandeira Says:

    Ah, os Enecons ainda devem existir, e devem ser tão “sérios” e tão bons quanto sempre… pra quem tem 20 anos.


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