Som na Caixa 14
janeiro 20, 2012
Meu pai era tão duro de chorar quanto eu sempre fui. Um dos poucos dias em que o vi chorando foi no 19 de janeiro de 1982, por causa da morte da Elis Regina. Eu me peguei nessa mesma situação patética em 11 de outubro de 1996, pelo Renato Russo. E o curioso é que meu pai me deu a notícia ruim naquele dia, logo que acordei. Mas nem chorei na frente dele, fui me esconder no quarto. Também curioso é que sempre tive uma relação de amor e ódio, mais ódio, com a Elis. Em algum momento dos anos 1960, ela chegou a liderar uma passeata contra a guitarra elétrica, coisa inimaginável hoje. Elis começou gravando de tudo, inclusive rock, pelas mãos de Carlos Imperial, depois renegou o rock, depois se rendeu. Então, “Como Nossos Pais” é uma homenagem/vingança que estou protelando desde ontem, mais homenagem que vingança, principalmente ao meu pai, também à Elis pela data triste, também ao Belchior, um dos desprezados que nem costuma figurar na lista habitual de malditos.
A música é do meio dos 1970′s, punk no tema e na ocasião, nem tanto na forma: “Hoje eu sei que quem me deu a ideia de uma nova consciência e juventude tá em casa, guardado por Deus, contando o vil metal”. Aposto que o Belchior, autor, pensou em Stones, Zeppelin e nos então ex-Beatles.
fevereiro 1, 2012 at 6:21 pm
Pois eu sou um daqueles fãs que ainda se emociona. Em se tratando de Elis Regina, tudo é superlativo, absoluto. A maior cantora do Brasil (admiro muitas outras, Elizeth Cardoso, Elza Soares, Nara Leão… a lista é enorme). Mas Elis é… Elis.
ouçam essa, vale a pena: http://www.youtube.com/watch?v=tWuQc7W0O-A