Os especialistas se divertem
Abril 26, 2009
Perdi um pouco o timing, mas achei que isso não deveria passar batido, até mesmo pelo esforço do post original. Gosto de banana boat há uma data e a descoberta não veio de nenhuma sintonia latina tardia, mas de um clássico dos anos 80. Beetlejuice, que no Brasil virou Os fantasmas se divertem, é do Tim Burton, um dos cineastas que eu mais gosto, pela originalidade, humor e esquisitice. Esse tem a Wyona Rider, que era tipo o johnny Depp de saias, e uma hilária cena de possessão que me despertou para a música. Acho que agora podemos nos considerar todos especialistas em Day-O.
Introdução ao plágio
Março 30, 2009
A Kate Hudson aos 21 anos e um incipiente aspirante a jornalista on the road com uma banda. Achei que Almost Famous era um bom filme para a turma de teoria e técnica, disciplina que é tipo uma introdução ao jornalismo no curso da PUC. Passei o filme e pedi uma resenha. E por isso não me surpreendo com o tráfego gerado no outro blog por buscas como “que tipo de narrador O Conde de Monte Cristo possui” ou “resumo As Barricadas do Poder”. Recebi quase 50 resenhas e tive a pachorra de passar trechos da maioria pelo google. Um festival de zeros por plágio, mas todo mundo teve uma segunda chance, meu método pedagógico é inovador e meu coração é mole. O post original, é claro, ia para o blog original, mas fui rever um trecho do filme para enriquecer o texto e achei que ele ficaria em melhor companhia aqui.
Vinte anos a menos eu tivesse, a letra de Tiny Dancer eu postaria.
Slumdog Millionaire
Março 9, 2009
Mais uma música de filme que anda fazendo minha cabeça. O que vocês acham? Gostaram do filme?
Triângulo
Novembro 6, 2008
Há uns 15 ou 20 anos, havia poucas coisas tão distantes entre si quanto eu, Patrícia Pillar e Waldick Soriano. Por ela, eu alimentava uma daquelas paixões platônicas que um adolescente é capaz de dedicar a uma celebridade feminina. Por ele, quase indiferença. Pois não é que nos encontramos na segunda-feira, em mais um dos quatro documentários musicais da Mostra Cine BH, aqui em Santa Tereza? (Sobre Simonal já falei; sobre Macalé talvez fale, não me pegou de jeito; Arnaldo Baptista, com ele em pessoa, lotou demais, não deu pra ver).
Estávamos os três lá, ainda que virtualmente. Eu, com quase 40, na platéia; Patrícia, uma senhora muito bem conservada e sucedida, nos créditos, como diretora; e Waldick, já morto, no centro da tela. Foi na pré-estréia do média-metragem Waldick, Sempre no Meu Coração, que começa como um road-movie pelo sertão da Bahia, acompanhando uma turnê capenga do astro, e termina com ele muito decadente, solitário, saúde debilitada e olhar vidrado, num apartamento modesto em, talvez, São Paulo.
Triste, lento, bem diferente do que eu esperava (talvez por isso tenha me marcado de alguma forma). Igual à versão abaixo, que eu não conhecia e que fecha o documentário. Uma das obras-primas de Roberto Carlos na voz de Waldick Soriano. Um luxo, ainda que deprê, como o próprio Waldick.
Waldick Soriano – Cavalgada
Resignação e redenção
Novembro 4, 2008
Enquanto os amigos curtiam o cinema na praça ou testemunhavam o ganhou mas não levou do Massa, resignei-me em cumprir o papel de pai e acompanhei minha prole ao High School Musical III. Gritos histéricos, pré adolescentes e montanhas de pipoca me predispuseram para a batalha. Eu já havia visto os outros dois filmes uma carrada de vezes e sabia o que me esperava. Mas é como constatou aquele filósofo contemporâneo: para os filhos a gente se oferece ao sacrifício.
Eu também sou do time do Ricardo: não morro de amores pelo cinema. É certo que gosto de histórias, especialmente as bem contadas, mas tenho preguiça de ir ao cinema, do cerimonial, da liturgia… E já que estamos falando francamente, também não tenho o menor saco para a dança. Quer dizer, gosto de dançar, mas assistir… admito que já dormi em pleno Palácio das Artes, numa apresentação do Grupo Corpo. Heresia! Barbaridade!
E o que dizer então de um filme musical? Acho o gênero tão estapafúrdio quanto este adjetivo. Minha irmã reclamava, na sabedoria dos seus oito anos: “toda hora eles para o filme pra ficar nessa cantoria… que chatice!”

A protagonista Vanessa Hudgens caiu no conto do vigário e viu fotos íntimas publicadas na internet
Mas… não é que, apesar dos pesares, o filme me ganhou no final? Estava tudo lá, conforme prometido: os vários quase beijos do Troy e da Gabriela, as armações da Sharpey, a gordinha que é líder de torcida, o Ryan que, com mais um pouquinho saía do armário. Tudo certo, na medida, e divertido… Achei que foi um final digno para a trilogia. É um filme muito mais Broadway que os anteriores, que enfia o pé na jaca do gênero “de com força”. E por isso mantém seu charme.
Talvez eu tenha me tornado mais tolerante. Ou pode ser que o nível de exigência tenha baixado. Mas confesso que, dessa vez, saí do cinema mais bem humorado do que quando entrei.
Eu vi o Simonal
Novembro 3, 2008
Se eu fosse poeta concreto e cretino: O que é Wilson? Cinema? Não, Simonal
Não gosto de cinema. O que essa frase tem de provocação, tem de verdade. É claro que gosto de ver filmes, mas nunca me encaixei naquele esquema quase religioso da sala escura, do silêncio (da platéia), da assepsia. Tenho uma saudade danada do Cine Imaginário (alguém lembra?), onde dava pra ver filmes tomando uma cerveja ou um café e fumando um cigarro. Lá, assisti a Marca da Maldade, do Orson Welles, bebendo e fumando. Também lá vi alguns shows (o lugar não era só pro sagrado cinema), entre eles Itamar Assumpção tocando Ataulfo Alves e Blues Etílicos (onde andarão?).
Por isso, adoro esses festivais de cinema no meio da rua ou da praça, como em Tiradentes há tantos anos e, há dois, em Belo Horizonte. Por isso, faço o possível pra ver pelo menos alguma coisa da Mostra Cine BH, aqui pertinho da minha casa, em Santa Tereza, o melhor bairro de Belo Horizonte (sou “bairrista”, literalmente). É chato o tanto que o povo que está em pé, nem aí pro filme, fala e grita e se mexe, mas é uma experiência única ver aquela telona com a igreja ao fundo, a lua no céu e tudo de graça. E ainda mais um filme sobre o Simonal (posso fazer propaganda do meu blog particular?).
Também é lindo, como fiz horas atrás, assistir a um filme sobre o grande Jards Macalé no redivivo Cine Santa Tereza, onde já vi, nos tempos de Fábrika ou Trash, Cássia Eller começando a carreira, Fugazi, Man or Astro Man, Atari Teenage Riot e outros.
Bom, quis falar de cinema e, como sempre, acabei falando de música. Mas, pombas, quando o cinema sai do pedestal e se mistura com o barulho e com a galera, que nem música, é bem mais bacana.
Programa de Índio
Novembro 2, 2008
Fui ver Tainá, Uma Aventura na Amazônia, no CineBH 2008. Uma beleza. De gratis e sem frescura de cinema, os meninos encontraram amiguinhos da escola, sentaram no chão, levantaram, conversaram e lá pelo final a Laura já nem assistia, queria era brincar, tive que ir para praça. A cópia meio ruim, o filme é de 2000, eu acho. No ano passado nós vimos O Menino Maluquinho, que era ainda mais velho (94). Pra criança, é só filme velho, mas é legal ver na tela grande. E na saída tem balão. Amanhã tem o Grilo Feliz, vamos tentar, às 11h. Alguém viu o Simonal?

