Julho 16, 2009

Fui convocado para fechar o histórico caderno do tri, mas acabei editando essa página.

pag38As legendas ficaram meio repetitivas, mas a manchete não é ruim e eu já estava com ela na cabeça desde cedo…

Morreu de velha

Junho 19, 2009

Em tempo, anteontem foi um dia histórico: o Supremo Tribunal Federal pôs fim à anacrônica exigência de diploma para o exercício do jornalismo. Tão anacrônica quanto aquelas capas inacreditáveis que os ministros do STF usam nos julgamentos. Ouvi muita gente chiando no dia seguinte, mas acho que é só por hábito corporativista ou pelo sonho esquerdista de um estado protetor dos pobres jornalistas e da pobre sociedade da sanha do tal mercado, que supostamente controla os meios de comunicação e as mentes.

Um dia histórico cheio de poeira. A exigência do diploma já tinha morrido de velha faz tempo. Lá pelo início dos 90’s, quando eu e o amigo Carlos Eduardo Cherem fomos proibidos pelo Sindicato dos Jornalistas de escrever umas matérias inocentes no Minas Gerais porque éramos estudantes, os grandes jornais do país já não davam a mínima pro diploma.

E o mesmo sindicato não fazia nada para resolver a aviltante situação salarial da categoria ou para abrir espaços de trabalho a estagiários, trainees, etc.

Sempre fui contra a exigência de diploma e já fiz discursos inflamados sobre o assunto. Agora, comemoro a decisão mas nem me emociono mais. Num mundo em que qualquer um pode produzir conteúdo quase de graça, jornalístico ou não, o assunto ficou passado.

E, não custa lembrar, os cursos de comunicação continuam existindo, bons ou ruins, como sempre foram. E os jornalistas continuam existindo, bons ou ruins, como também sempre foram.

Quando eu e o Cherem fomos proibidos de escrever aquelas matérias, não havia jornal laboratório no curso de comunicação da UFMG. Agora, tem o Tubo de Ensaio. O mundo muda, olha só. A gente se sentiu sufocado, sem espaço pra escrever; hoje, faríamos um blog ou coisa parecida.

Ah, a Globo e a Folha comemoraram o julgamento do STF? O Gilmar Mendes votou a favor do fim da exigência de diploma e comparou os jornalistas a cozinheiros? E daí? Meus motivos para comemorar são outros e não são pessoais, ainda que a experiência descrita indique o contrário.

Só acho que democracia não combina com uma regra corporativista baixada nos tempos de ditadura, há distantes 40 anos, provavelmente para limitar a explosão de criatividade que o país experimentava àquele tempo.

Não gosto do Gilmar Mendes, mas também não gosto muito da Ivana Bentes. Ela, no entanto, escreveu um texto bem interessante sobre o tema.

Posso queimar a língua no futuro, mas, na minha carreira de jornalista, nunca vi nada de positivo na exigência do diploma. O STF, com aquele atraso habitual da Justiça, só assinou embaixo.

picaretaBacana no flash mob que o Rudi registrou foi o lance de ser realmente surpreendente. O próprio site do evento pedia sigilo aos participantes e, ainda que sigilo em uma página aberta da internet seja meio bobagem, mesmo assim só quem estava ligado na coisa ficava sabendo. E agora, o que dizer de flash mobs com divulgação prévia na mídia? Organizados por uma empresa? Com assessoria de imprensa oferecendo fonte para falar? E com releases? Esses chegaram lá no trabalho ontem, chamando para eventos hoje e amanhã. Mudei o nome da fonte e da empresa, mas é gente de verdade.

Boa tarde! Segue sugestão de pauta de comportamento sobre ações flash mob que vem sendo realizada cada vez com mais freqüência. Caso tenha interesse, a fulana, diretora da Picareta Incorporated poderá falar da questão do comportamento das pessoas e de que a necessidade de pertencimento da sociedade moderna são um dos fatores que contribuem para o sucesso das flash mobs.  Atenciosamente,…

AÇÕES FLASH MOB VIRAM MANIA EM TODO MUNDO

 Você já participou de um flash mob? Não? Então prepare-se para a qualquer momento se sentir influenciado a participar de um ato simbólico por um ideal; de se envolver numa atividade em conjunto em que você possa expressar suas vontades ou, ainda, simplesmente se divertir de forma inusitada. Isso porque as formas de protesto estão mudando. São pacíficas, rápidas e mobilizam grupos de pessoas e são divulgadas a partir, principalmente, da internet. Neste fim de semana, em Belo Horizonte, acontecem duas ações flash mob. A primeira, o Dia Garden, na sexta, 5 de junho, vai celebrar o Dia Mundial do Meio Ambiente com os participantes cantando a música Sal da Terra, composta por Beto Guedes e Renato Bastos. “Queremos mobilizar as pessoas para que possam cantar pela preservação do Meio Ambiente”, explica a fulana diretora da Picareta Incorporated, empresa organizadora da ação. Já no dia 6 de junho, sábado, acontece a flash mob Water Ballon, uma “guerra” de balões de água. Nos últimos meses, várias ações flash mob de impacto aconteceram por todo mundo. Em 4 de abril de 2009, foi realizada uma mega batalha de plumas e espumas no Dia Mundial da Guerra de Travesseiros (Pillow Fight). Em Belo Horizonte, o evento levou 300 pessoas à Praça da Liberdade.

Lula e Monsueto

Maio 29, 2009

 

Ele é o cara

Ele é o cara

A edição desta semana da revista Carta Capital comemora seus 15 anos com uma espécie de retrospectiva. E em cada texto toma partido, revela sua posição ante os fatos. Mino Carta lembra no editorial que, às vésperas da eleição de 2002, a revista escolheu seu candidato: “às favas a tradição da imprensa brasileira. Nesta hora a gente toma partido. Como os jornais americanos”. Gosto da revista, apesar do bairrismo -mal endêmico do jornalismo nacional- que se revela na seção Brasiliana e na insistência no caso Battisti. Mas que outro veículo – além da Caros Amigos-, coloca o dedo na ferida da questão agrária e reconhece a importância catalisadora do MST?

 

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Faço parte da maioria do povo brasileiro que admira e apóia o Lula. Não me lembro de um presidente melhor que ele desde que me tornei cidadão (aos 15 anos, junto da massa, no comício das Diretas Já, pelas mãos do meu pai). Pode ser que a sorte tenha sorrido para ele, como dizem alguns. Mas, e daí?  Isso não diminui seus méritos. Um bom goleiro precisa ter sorte também, não é?

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“Mané João”, de 63, é uma música otimista de Monsueto que reflete o espírito da época e a esperança de um país mais justo com as reformas de base propostas por Jango:

Hoje menino de rua
Menino de barracão
Menino que estuda
Chega a chefe da nação
 

 São de se admirar os versos premonitórios:

Grande vulto da nação
Não nasceu na cidade não
Nasceu nos cafundós do Judas
Bem lá dentro do sertão 

Lula tinha então 18 anos, era operário e sofria o acidente de trabalho que mutilou sua mão. Fiquei viajando na coincidência.


Monsueto – Mané João

Sexy e duro aos 50 anos

Fevereiro 18, 2009

Eu tenho medo do jornal impresso acabar nos próximos dez anos e eu sobrar no mundo, um cinquentão sexy e sem emprego. O que eu trabalho pode acabar antes, é claro, e por motivos outros, mas, num eventual apocalipse da midia impresa, ia sobrar pra mim. Hoje, por uma coincidência dessas, li três artigos com propostas para lidar com o fim do mundo.

O da Times veio com uma capa bacana, edição recente:

peixe  

O Isaacson é meio do mal, defende o Bill Gates e é chamado de demônio pela filha, mas faz algumas ponderações. Primeiro, que o conteúdo gratuito dos jornais ajuda muita gente a ganhar dinheiro, menos os jornais. É o caso dos provedores de acesso e dos serviços de busca e portais. O modelo atual seria resultado de uma distorção criada nos anos pré-bolha digital, quando dinheiro de anúncio chovia nos sites, levando muitas empresas a  abrir mão da cobrança . A bolha estourou e agora o estrago está feito. Ele mostra que muita gente aprendeu a cobrar pouco por pouco, como as telefônicas, a R$ 0,50 uma ligação de celular, ou o Itunes, a 0,99 a música. E de um modelo parecido com o I-tunes sairia a solução. Porque a solução para ele é cobrar, cobrar, cobrar. Sinto que ele se sente pessoalmente ofendido com o fato das pessoas lerem os jornais de graça na rede.

The key to attracting online revenue, I think, is to come up with an iTunes-easy method of micropayment.  …Under a micropayment system, a newspaper might decide to charge a nickel for an article or a dime for that day’s full edition or $2 for a month’s worth of Web access. Some surfers would balk, but I suspect most would merrily click through if it were cheap and easy enough.

Já o New York Times liberou uma ferramenta para permitir a criação de programas com acesso ao seu banco de dados digital, com edições desde 1981, e é de grátis. A aposta deles passa por aí. Ao contrário da Folha, que pretende lançar um “novo ciclo editorial”. Ai, ai, ai, olha aí o conceito preguiça. Está no site http://www.jornalistasecia.com.br/ e vem embalada naquilo que eu estudei e chama de jornalismo áulico, ou puxa-saco descarado, com adjetivos como eloquente, futuro brilhante, rumo à modernidade. A folha dá pra ler e cobra, mesmo na internet. Eu pago, é R$ 9,90 por mês para manter o email de anos e ter acesso ao conteúdo exclusivo, que não presta pra nada, só para a edição online do jornal impresso. Mas mesmo ela está se mexendo.

Legalize it!

Fevereiro 18, 2009

Acho que, enfim, vou concordar com o Fernando Henrique em alguma coisa… Confiram aqui.

É melhor prevenir

Fevereiro 12, 2009

22_mvg_ronaldo16 Em entrevista recente, Ronaldo do Curíntia declarou que não jogará contra o Cruzeiro no Campeonato Brasileiro. Motivo:

- Se três viados me causaram aquela confusão toda, imaginem 11!!!

Pé na jaca

Fevereiro 3, 2009

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Taí uma fruta que eu não gosto. Mas, pelo visto, tem muitos adeptos. Aqui perto de casa tem um pé de jaca que faz a alegria da meninada que vive pela rua. No Parque Municipal, no Centro de BH, ela dá aos montes, e a direção resolveu fazer uma distribuição gratuita, mas descobriu que tem mais gente na fila que fruta no pé

Aliás, por falar em pé, eu só gosto de jaca na hora de enfiar o próprio nela (de onde será que vem essa expressão?).

Direto da redação

Fevereiro 3, 2009

temporal

A chuva já passou, mas a imagem ainda é super. Crédito de Júlio Palhares, que fotografou lá da parte alta do Vera Cruz e mandou para a redação.  Ontem, tinha seis árvores caídas nos quatro quarteirões entre o Viaduto do Cardoso e a minha casa.

Barulho

Janeiro 9, 2009

A voz de Deus? Um ET falante? Sei lá. Só sei que a notícia é fascinante e dá margem a muitas especulações. Astrônomos que buscavam no espaço sinais sonoros da formação das primeiras estrelas acharam um ruído cósmico seis vezes maior, de uma fonte totalmente desconhecida. Os detalhes estão aqui (em português) e aqui (em inglês).